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Naquela noite, eu estava exausta.

O dia havia sido longo, daqueles que começam corridos e terminam ainda mais acelerados. Resolvi aceitar um convite para jantar,não porque estivesse procurando um grande amor… mas porque às vezes uma boa conversa, uma taça de vinho e algumas horas longe das responsabilidades fazem bem para a alma.
O restaurante parecia saído de um filme, todo construído em madeira escura, com vigas aparentes no teto e paredes revestidas por prateleiras cheias de garrafas de vinho, a iluminação era suave, feita por pequenos pendentes de luz amarelada que criavam uma atmosfera acolhedora, não havia excesso de claridade, apenas o suficiente para enxergar o sorriso de quem estava à sua frente. O aroma de madeira, vinho se misturava no ambiente.

Ele tinha olhos claros que pareciam prestar atenção de verdade quando eu falava. Não era daqueles homens de academia, com músculos desenhados e pose ensaiada. Era magro, discreto e tinha uma beleza que não vinha do físico.
O que chamava atenção era o sorriso, um sorriso bonito, fácil e sincero ,daqueles que chegam antes das palavras.
Mas talvez sua característica mais atraente fosse outra, ele sabia ouvir.

Em um mundo onde quase todos estão esperando a vez de falar, ele escutava ..A capacidade de um homem ouvir uma mulher vai muito além da educação ou da gentileza ,ouvir para mim é uma forma de presença. Na minha mais humilde opinião:
Existem homens que impressionam quando falam. E existem homens que marcam quando escutam.

A conversa foi agradável ,leve e divertida, por alguns momentos pensei como seria simples gostar de alguém assim, mas conforme as horas passavam, fui percebendo pequenas diferenças. Não eram defeitos, não eram bandeiras vermelhas, não eram motivos para fugir, e talvez fosse justamente isso que tornava tudo mais difícil de explicar.
Porque ele era uma boa pessoa, talvez apenas não fosse a minha pessoa, enquanto falávamos sobre sonhos, futuro e a forma como enxergávamos a vida, percebi que existiam caminhos que eu já não queria percorrer novamente ,a maturidade tem dessas coisas, ela ensina que química não é compatibilidade , que admiração não é amor, e que gostar de alguém não significa necessariamente construir uma vida ao lado dela. Eu aprendi a não confundir companhia agradável com destino.

Mal sabia eu que a maior reflexão daquela noite ainda estava por vir…
Porque alguns quilômetros depois, meu carro quebraria, a chuva começaria a cair e um rapaz em uma moto surgiria para me lembrar que a vida sempre encontra formas inesperadas de nos ensinar…

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Thais Mel

Sou escritora em obras. Escrevo em processo, entre dúvidas, descobertas e reconstruções. Este blog é um espaço de palavras em movimento — reflexões honestas sobre existir, mudar e seguir, mesmo sem tudo resolvido.

https://www.instagram.com/thamelll/

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