Fui até a cachoeira sem esperar muita coisa…
só queria um pouco de silêncio.
A água caía tranquila, e algumas crianças brincavam ali perto, rindo como se o mundo fosse leve.
Foi quando reparei nela.
Sentada numa pedra, olhando os filhos na água… mas com um olhar distante.
Como se estivesse ali… e em outro lugar ao mesmo tempo.
A gente começou a conversar, dessas conversas simples que acontecem sem esforço.
E foi ali que ela me contou.
Disse que anos atrás, tinha vindo naquela mesma cachoeira com alguém.
Um amor que, pelo jeito que ela falava, ainda existia… mas de outra forma.
Eles sentaram bem perto da água…
e começaram a empilhar pedrinhas.
Cada pedra era um desejo …ela disse, sorrindo de leve.
Eu fiquei em silêncio, só ouvindo.
Ela contou que escolheram cada pedrinha com cuidado.
Que falaram de futuro, de sonhos, de uma vida que ainda nem existia.
E que, de alguma forma… tudo aconteceu.
Os sonhos vieram.
A vida aconteceu.
As conquistas chegaram.
Mas eles não ficaram juntos.
A gente se perdeu no caminho…ela disse, sem tristeza na voz.
Hoje somos amigos.
Ela olhou de novo pras crianças…
e depois pra cachoeira.
Toda vez que a saudade aperta, eu venho aqui .
Fiquei pensando nisso por um tempo.
Porque ali, naquele lugar, não parecia existir arrependimento.
Só uma saudade tranquila… quase bonita.
Antes de ir embora, olhei ao redor…
e vi algumas pedrinhas empilhadas perto da água.
Talvez não fossem as deles.
Mas, de algum jeito, pareciam contar a mesma história.
E foi ali que entendi:
Nem tudo que dá certo… precisa durar pra sempre.
Às vezes, o certo é exatamente o que aconteceu …
no tempo que tinha que acontecer.
E talvez amar também seja isso…
Viver o que foi real,
guardar o que foi bonito,
e ter maturidade pra não transformar saudade em dor.
Porque algumas histórias não acabam…
elas só mudam de forma.
